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Saúde e Alterações Climáticas
À Conversa com

Adalberto Campos Fernandes

O ex-ministro da Saúde alerta que, sem mais prevenção e maior integração das políticas públicas, os sistemas de saúde terão dificuldade em responder aos impactos das alterações climáticas.

A resposta aos impactos das alterações climáticas na saúde não passa apenas por reforçar a capacidade dos hospitais ou dos serviços clínicos. Para o ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, a prioridade deve estar na prevenção e na integração destas questões nas políticas públicas.

À margem da Conferência sobre Saúde e Alterações Climáticas, promovida pela Multicare, em Lisboa, Adalberto Campos Fernandes defende uma abordagem mais ampla aos problemas causados pelas mudanças climáticas. “Os desafios não são apenas do sistema de saúde”, afirma, sublinhando que as alterações climáticas têm implicações económicas, sociais e até de segurança. “O mundo está a mudar, o planeta está a mudar e está em sofrimento”, acrescenta.

Respostas a montante

Neste contexto, a resposta deve começar a montante do sistema de saúde. “A saúde não é uma política setorial, deve estar presente em todas as políticas”, afirma Adalberto Campos Fernandes, defendendo que fatores como a poluição, as temperaturas extremas ou as doenças transmitidas por novos vetores exigem mais prevenção e maior coordenação entre setores — e não apenas o aumento da capacidade de assistência.

Numa altura em que os riscos e impactos das alterações climáticas continuam a crescer, a sustentabilidade do sistema de saúde dependerá também da forma como os diferentes setores — público, privado e social — se articulam. “Tem de haver uma integração de esforços”, sublinha, alertando para a ineficiência de modelos fragmentados. Num país com recursos limitados, como Portugal, “os recursos desperdiçados e mal gastos significam sempre mais impostos e piores resultados”.

Compromisso alargado

Por isso, defende um compromisso alargado entre os setores público, privado e social, que permita ganhar eficiência e reforçar a resposta aos desafios estruturais — como o envelhecimento da população, o peso da doença crónica e a pressão sobre a despesa em saúde.

A capacidade de antecipação, conclui, será determinante: agir de forma global e integrada, antes que os problemas se agravem, é a única forma de garantir um sistema de saúde sustentável.