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Saúde e Alterações Climáticas
À Conversa com

Celso Granato

Doenças como a dengue, a zika ou a chikungunya podem tornar-se uma realidade cada vez mais frequente em Portugal, impulsionadas pelo aquecimento global, alerta o professor Celso Granato, da Universidade Federal de São Paulo.

As alterações climáticas estão a alterar o perfil das doenças e a introduzir novos riscos epidemiológicos em geografias onde antes não existiam. É este o alerta de Celso Granato, professor de Doenças Infecciosas da Universidade Federal de São Paulo e diretor clínico do Grupo Fleury. À margem da Conferência sobre Saúde e Alterações Climáticas, organizada pela Multicare, em Lisboa, o especialista explicou como o aquecimento global está a transformar o mapa das doenças infecciosas.

“O aquecimento global vai levar a uma expansão, a uma disseminação dos mosquitos”, afirma, destacando que doenças como a dengue, a chikungunya ou a zika — tradicionalmente associadas a regiões tropicais — tenderão a tornar-se mais frequentes na Europa, incluindo em Portugal.

“O aquecimento global vai levar a uma disseminação dos mosquitos”, afirma, destacando que doenças como a dengue, a chikungunya ou a zika — tradicionalmente associadas a regiões tropicais — tenderão a tornar-se mais frequentes na Europa, incluindo em Portugal.

Mosquitos já chegaram
Segundo o especialista, esta não é uma ameaça futura, mas uma realidade já observável. “Não é um fenómeno que vai acontecer, ele está a acontecer agora”, sublinha, apontando para o aumento de casos registado na última década. Doenças até agora consideradas exóticas estão a tornar-se progressivamente mais comuns, acompanhando a adaptação dos vetores de transmissão — como os mosquitos — às novas condições climáticas.

A resposta a este novo fenómeno passa por reforçar a prevenção, combinando vacinação, quando disponível, com medidas simples de controlo desses vetores. Os portugueses, como os povos que vivem nos trópicos já fazem, “precisam de aprender a combater focos de mosquitos dentro de casa”, explica, lembrando que estes insetos vivem próximos das pessoas e se reproduzem em águas paradas, muitas vezes dentro das próprias habitações — por exemplo, nos vasos das plantas.

Combater o mosquito

Para Celso Granato, o combate ao mosquito é uma estratégia central, com impacto transversal na prevenção destas doenças. “Com uma medida só, nós vamos combater todas essas doenças, independentemente de ter vacina ou não”, afirma, defendendo a implementação de programas de saúde pública que ensinem a população a eliminar esses focos de infeção.

Num contexto em que fenómenos extremos e alterações ambientais estão a redefinir os padrões de risco, o especialista deixa um alerta claro: a antecipação e a prevenção serão determinantes para evitar a propagação destas doenças num sistema de saúde já sob pressão.